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  • Dr. Emerson Quintino

Hipertensão arterial: diagnóstico e avaliação inicial

Atualizado: 8 de jul. de 2020

No Brasil, hipertensão arterial atinge cerca de 30% de indivíduos adultos e mais de 60% dos idosos. Além da idade e sexo, outros fatores de risco conhecidos para hipertensão são: etnia, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal e álcool, fatores genéticos e socioeconômicos.

A pressão arterial deve ser aferida em toda consulta médica e outros profissionais da saúde devidamente capacitados. Recomenda-se, pelo menos, a medição da PA a cada dois anos para os adultos com PA ≤ 120/80 mmHg, e anualmente para aqueles com PA > 120/80 mmHg e < 140/90 mmHg. A medição da PA pode ser feita com aparelhos (esfigmomanômetros) manuais ou automáticos devidamente validados e calibrados anualmente.

Para adequada aferição da pressão arterial devemos nos certificar de que o paciente NÃO:

- Está com a bexiga cheia

- Praticou exercícios físicos há pelo menos 60 minutos

- Ingeriu bebidas alcoólicas ou café

- Fumou nos 30 minutos anteriores.

Ainda devemos colocar o paciente sentado, com pernas descruzadas, pés apoiados no chão, e aferir após 3-5 minutos de repouso num ambiente tranquilo. O braço deve estar na altura do coração, apoiado, com a palma da mão voltada para cima e as roupas não devem apertar o braço.

Considera-se pressão arterial normal quando as medidas de consultório são ≤ 120/80 mmHg

Hipertensão arterial é definida como elevação sustentada dos níveis pressóricos ≥ 140 e/ou 90 mmHg. Segundo a 7a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, pacientes são classificados como pré-hipertensos os pacientes com pressão sistólica (“máxima”) PAS entre 121 e 139 e/ou pressão diastólica (“mínima”) entre 81 e 89 mmHg (Tabela 1)

Outras situações comuns no consultório são a “hipertensão do jaleco branco” e a “hipertensão mascarada”. A Hipertensão do jaleco branco é a situação clínica caracterizada por pressão arterial elevada no consultório e valores normais em medidas realizadas fora do consultório. A ocorrência global da hipertensão do jaleco branco é de 13% e atinge cerca de 32% dos pacientes hipertensos. Na Hipertensão mascarada o paciente apresenta valores normais da pressão arterial no consultório e pressão arterial elevada fora do consultório.

A hipertensão do jaleco branco e hipertensão mascarada são diagnosticadas através da realização do Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial 24 h (MAPA24h) ou pela Monitorização Residencial de Pressão Arterial (MRPA). (Figura 1) Estes dois métodos são realizados com aparelhos de monitorização validados internacionalmente.

Na MAPA 24h, geralmente o aparelho é programado para medidas a cada 20 minutos durante o dia e a cada 30 minutos durante o sono.

A MRPA é o método destinado a fazer os registros da PA por vários dias, em horários determinados, fora do ambiente do consultório. Deve ser feita por indivíduo treinado, com equipamento validado, calibrado e provido de memória. Sua característica fundamental é obedecer a um protocolo previamente estabelecido e normatizado. Diferencia-se da automedida da pressão arterial, que não obedece a nenhum protocolo preestabelecido.

Os principais objetivos da avaliação clínica e laboratorial são:

- Confirmar o diagnóstico de hipertensão arterial

- Identificação dos fatores de risco e cálculo do risco cardiovascular

- Pesquisa de lesões de órgãos alvo da hipertensão (coração, cérebro, retina, vasos e rins)

- Pesquisa da presença de outras doenças associadas

- Avaliação de indícios para a suspeita de hipertensão secundária




Figura 1 - Fluxograma para diagnóstico de hipertensão arterial



Fontes:

1. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol ; 107( Suppl 3): 2016

2. 6ª Diretrizes de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial e 4ª Diretrizes de Monitorização Residencial da Pressão Arterial. Arq Bras Cardiol ; 110(Suppl 1): 2018

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